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17/10/2015 19:00

Acúmulo de proteína que gera Alzheimer poderia ser removido pelo sangue

Portal APCD

Cientistas da Trinity College Dublin, na Irlanda, lançaram luz sobre um mecanismo fundamental relacionado ao desenvolvimento do mal de Alzheimer, que poderia levar a novas formas de terapia para aqueles que vivem com essa condição. O estudo foi publicado na revista científica Science advances e apoiada pela Science Foundation Ireland (SFI) e pela americana Fundação Brightfocus.

A doença é caracterizada, em parte, pela acumulação de uma pequena proteína — chamada de beta-amilóide — no cérebro dos pacientes. Essa substância colabora para o acúmulo de placas, e depois no processo da doença em si. Embora o modo pelo qual essa proteína seja acumulada no cérebro permaneça um tanto obscuro, os cientistas irlandeses consideram evidente que ela tenha de ser removida a partir do cérebro via corrente sanguínea. Caso esse processo de remoção seja bem-sucedido, segundo os estudiosos, a qualidade de vida do paciente de Alzheimer melhorará.

Ao contrário dos vasos sanguíneos em qualquer outra parte do corpo, os do cérebro têm propriedades que regulam estritamente que entra e sai do delicado tecido, o que é conhecido como barreira sangue-cérebro (BBB, do inglês blood-brain barrier). As funções dessa barreira são regular a troca de energia e de metabólito — produto gerado pelo metabolismo de determinada molécula — entre o tecido cerebral e a circulação sanguínea.

“Temos demonstrado que componentes distintos desses vasos sanguíneos, que nós chamamos de junções apertadas, são alterados durante a doença de Alzheimer. Nós acreditamos que essa alteração pode ser um mecanismo para permitir o apuramento das beta-amilóides tóxicas no cérebro em pessoas que vivem com a doença de Alzheimer”, disse o pesquisador James Keaney, da Escola de Genética e Microbiologia do Trinity College, que liderou o estudo.

A condição é classicamente associada à perda de memória. No entanto, outros sintomas e sinais de alerta incluem dificuldade de executar tarefas familiares, problemas com a linguagem — como esquecimento de frases ou palavras — e alterações no humor, no comportamento e na personalidade.

“Nossos resultados destacam a importância de compreender as doenças em nível molecular. O conceito de apuramento periódico das proteínas beta-amilóide ao longo de toda a barreira sangue-cérebro pode ter um enorme potencial para pacientes de Alzheimer no futuro. Os próximos passos são avaliar como isso pode ser alcançado”, afirmou o professor assistente de investigação em Genética no Trinity, Matthew Campbell.

Trabalhando com o Banco de Cérebros de Dublin, que tem sede no Hospital Beaumont, os pesquisadores analisaram tecidos do cérebro de indivíduos que foram afetados pela doença de Alzheimer durante a sua vida e, em seguida, os resultados foram comparados com os observados em modelos de laboratório.

“Tendo em vista os recentes avanços em ensaios clínicos de anticorpos anti-beta amilóide, nós esperamos que nossos resultados possam levar a melhores formas de terapia para esta condição devastadora”, aspira Campbell.

A doença

Alzheimer é a forma mais comum de demência no mundo. Hoje, são 46,8 milhões de pessoas vivendo com o problema, das quais 1,2 milhão estão no Brasil. Apenas na pequena Irlanda, país onde o estudo foi realizado, o mal afeta cerca de 40 mil pessoas, sendo a quarta principal causa de morte em indivíduos com idade superior a 65 anos. E, entre as primeiras dez causas de morte, esta é a única que não pode ser evitada, curada ou até mesmo ter seu avanço desacelerado.

A estimativa para os próximos anos é alarmante: em 2030, devem ser 74,7 milhões de pessoas com demência no mundo, e, em 2050, esse número passará para 131,5 milhões. Os dados são do Relatório Mundial de Alzheimer, publicado no mês passado pela Alzheimer’s Disease International.

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