Cassilândia, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

Últimas Notícias

02/03/2010 11:02

Acionado 2 vezes, Conselho não impediu morte de criança

Campo Grande News/ Danúbia Burema

O Conselho Tutelar de Campo Grande já havia recebido pelo menos duas denúncias contra a mãe da menina Rafaela, de três anos, que morreu na tarde de ontem (28), com sinais de espancamento. A criança esteve por três vezes no órgão apenas no mês passado, para que fosse averiguada suspeita de maus-tratos.

Boletim de ocorrência foi registrado no dia 10 de fevereiro deste ano, após denúncia anônima feita ao SOS de que a mãe da menina a espancava e deixava sozinha em casa. Equipe foi à casa da família e constatou que a criança estava com vários hematomas no rosto.

A mãe, Renata Dutra de Oliveira, de 22 anos, dizia que ela havia caído da cama e não chorou porque teve medo de que ela ficasse zangada com ela, segundo registrado no Conselho Tutelar.

Equipe de verificação orientou a mãe a levar a criança a um posto de saúde. Na mesma tarde, o SOS foi acionado novamente. Desta vez a denúncia foi feita pelo médico que atendeu a menina no posto de saúde da Vila Almeida, e disse que os ferimentos eram resultado de violência doméstica.

Por conta da denúncia, a DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente) instaurou inquérito para apurar o caso. A delegada titular da DPCA, Regina Mota, revela que foi solicitado exame de corpo de delito e a criança encaminhada ao IML (Instituto Médico Legal), depois de a mãe ser ouvida na delegacia.

Rafaela passou por entrevista com uma psicóloga do SOS no mesmo dia e foi encaminhada aos cuidados do Conselho Tutelar.

Apesar dos hematomas, o Conselho não conseguiu elementos suficientes para tirar a menina dos cuidados da mãe, explica a conselheira Sandra Souza Szablewiski, que atendeu o caso quando ele já estava em andamento.

Ela conta que após a denúncia feita no posto de saúde, o padrasto que acompanhava a menina, Handerson Candido Ferreira, de 25 anos, foi encaminhado ao Conselho junto com ela. De acordo com a conselheira, esse foi o único momento em que ela poderia ter sido abrigada pelo Conselho.

Entretanto, o atendimento feito pela unidade sul apenas marcou entrevista para o dia seguinte, mas ao verificar que não se tratava de sua área encaminhou o caso à unidade norte, mas sem detalhes do histórico.

Na manhã seguinte, quando a mãe levou Rafaela ao Conselho, os hematomas estavam piores, os dois olhos roxos e o rosto inteiro machucado. A conselheira que atendeu a criança conta que ficou assustada e a levou ao SOS, onde foi informada de que ela já havia sido atendida por duas vezes no dia anterior.

A conselheira Sandra Souza Szablewiski levou a menina ao delegado de plantão e pediu custódia. Ele ligou no IML e o médico informou que pelo corpo de delito não era possível provar que ela havia sido agredida.

Em todas as entrevistas com técnicas e psicólogas, a menina sustentava a mesma versão de que havia caído da cama. “A gente procurou se respaldar de todas as formas para não entregar a criança à mãe, mas eu ia acusar ela (mãe) de quê, meu Deus?!”, desabafa a conselheira.

Ela lembra que a criança se mostrava carinhosa com a mãe durante todo o tempo em que elas estavam no local, e acariciava seu rosto constantemente.

Depois desse episódio, as duas foram liberadas e visita agendada para o dia 24 de fevereiro, mas não foi feita por um problema no veículo do Conselho. Foi remarcada para o dia seguinte, mas o veículo ainda não havia sido consertado.

A visita do Conselho foi novamente remarcada para hoje, mas a menina morreu no final de semana.

Inquérito - A delegada responsável pelo caso, Regina Mota, conta que vizinhos e o patrão de Renata, mãe da menina, irão prestar depoimento.

Laudo necroscópico e exame para verificar se houve abuso sexual foram solicitados pela Polícia Civil e deverão ficar prontos em dez dias.

O padrasto e a mãe da criança foram presos e levados para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário). Ela foi encaminhada nesta tarde para o presídio feminino e ele para o Presídio de Trânsito.

Familiares de Handerson foram ouvidos na Polícia na mesma noite do crime. Na ocasião, eles contaram que desde que ele se envolveu com a mulher, se afastou da família e apresentava comportamento estranho. Eles já desconfiavam dos maus-tratos contra a criança.

Após a morte da criança, policiais estiveram na casa da família e encontraram o local em péssimas condições. De acordo com eles, os cômodos estavam revirados o que pode indicar alteração proposital na cena do crime.

Foram apreendidos objetos que são usados no uso de entorpecentes. Sobre a cama da criança havia um lençol com vômito, e várias faixas sujas de fezes e urina espalhadas pela casa. No local não havia nenhum tipo de alimento.

“Só isso já indica que a criança sofria maus-tratos”, aponta a delegada.

A mãe de Rafaela trabalhava em uma padaria no bairro e o padrasto era quem cuidava dela durante o dia. Renata não sabia o paradeiro do pai biológico, e vivia com Handerson há cerca de um ano.

A criança de três anos era sua única filha, e o homem tem um filho que mora com a mãe.

O MPE (Ministério Público Estadual) instaurou, no mês passado, inquérito para investigar falhas no atendimento oferecido pelos Conselhos Tutelares da Capital.

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Quarta, 13 de Dezembro de 2017
Terça, 12 de Dezembro de 2017
20:48
Loteria
Segunda, 11 de Dezembro de 2017
20:42
Loteria
10:00
Receita do dia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)