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06/03/2013 07:52

Achismo

Evandro Pelarin
Achismo

No Brasil, diante de problemas, é comum a apresentação de soluções baseadas quase sempre em achismos. O cidadão, não importa se de sua área de conhecimento ou não, não perde tempo: tasca comentários deduzindo conclusões pelo sentimento pessoal, sem estudar ou se debruçar sobre o objeto em análise. Seria como se eu, que não entendo nada de carpintaria, quisesse emitir opiniões realizáveis, com autoridade no assunto, sobre como fazer um armário embutido.

Em Fernandópolis, não é diferente. Agora que tentamos colocar na agenda da cidade o debate sobre segurança pública, com propostas objetivas, diretas e claras, mais do que depressa (na verdade, em menos de uma semana, quando nós levamos meses de estudo, de coleta de dados etc), surgiram contradições às nossas propostas baseadas em achismos. Não vi, até agora, um estudo sequer (embora tenhamos principiado o debate há anos, desde que fui à Câmara Municipal em outras legislaturas) sobre impacto das medidas sugeridas na economia, no trânsito, nas faculdades, ou em qualquer outra área de interesse da cidade. Nada, rigorosamente.

De nossa parte, para chegar à Câmara Municipal, como fizemos no último dia 5 de fevereiro, e propor aos Vereadores uma legislação municipal com horários de funcionamento de bares e similares, uma cobrança de maior fiscalização dos demais órgãos do poder público, um IPTU progressivo para terrenos abandonados ao longo da Avenida Expedicionários, uma proibição de consumo público de bebidas alcoólicas, entre outras medidas, tivemos por base dados concretos, coletados pelas forças de segurança do município, teorias científicas sobre criminalidade, experiências mundiais no combate às drogas e aos crimes. Em suma, de nossa parte, fizemos o dever de casa, elementar, que é pesquisar, estudar, radiografar a cidade, checar números, levantar legislações ao redor do mundo e do país, obter experiências que deram e que estão dando certo para, só depois, vir a público e propor as medidas que propusemos.

Por outro lado, em menos de uma semana, aqueles que nos objetam vieram a público para dizer, a respeito de nossas propostas, que “nada a ver fechar conveniências” (o que isso significa “nada a ver”?), que “muitos comércios terão que fechar as portas” (quantos, quais, onde?, até para que possamos tentar contra-argumentar, com um prognóstico sustentável, o fechamento de bocas-de-fumo, que dependem dos embriagados madrugadeiros, o desemprego na traficância, além de redução de violência contra mulheres etc), que nós “temos boas intenções mas as medidas são radicais demais” (boas intenções?, desde quando estudos científicos, dados concretos etc provêm de “boas intenções” apenas) e por aí vai. Um festival de achismos.

O problema é que o achismo, ao interromper a adoção de decisões sustentadas em pesquisas, estudos e dados concretos, passa a ser mais um facilitador da baderna na Avenida Expedicionários, que tanto tem contribuído para a incidência de crimes, para a perversão de menores e para o símbolo de desordem, desorganização e desleixo de nossa cidade.

Outro dia ouvi de uma pessoa, aparentemente contra as nossas propostas, a seguinte frase: “eu não me importo com a Avenida até porque nem passo por lá quando ela está no ‘fervo’ noturno; uso uma rua paralela”. Essa frase bem reproduz o pensamento de muitos: não me importo e ainda desvio do problema. Some-se a isso o achismo. A criminalidade agradece.

- Evandro Pelarin -

Juiz de Direito de Fernandópolis

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