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15/12/2004 08:30

Açaí é usado como contraste para exame de ressonância

Agência USP

O açaí, fruta típica do norte do país, muito usada para sucos e sorvetes, é mais uma opção dos profissionais da área de radiologia, como contraste natural para exames de ressonância de abdome. Essa foi a descoberta de uma pesquisa conjunta entre o Departamento de Física e Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e o Centro de Ciências da Imagem do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP.

A tomografia por Ressonância Magnética Nuclear é uma das principais técnicas de diagnóstico clínico, pelo fato de produzir imagens de alta qualidade. Mas, em muitos casos, a visualização das imagens pode ser prejudicada. Para auxiliar no diagnóstico, é possível potencializar a ressonância em exames do aparelho digestivo, com a ajuda de soluções orais que melhoram o contraste. Dessa forma, a diferenciação dos órgãos abdominais é feita com maior precisão, o que permite fazer a distinção entre tecidos normais e doentes.

Segundo o professor Jorge Elias Junior, da área de radiologia do Depto de Clínica Médica da FMRP, e um dos autores do trabalho que utiliza o açaí, nem sempre é necessário o uso de soluções, entretanto, para algumas situações este procedimento é fundamental, como na pesquisa do movimento do trato gastro-intestinal. "Nos testes realizados no HC-FMRP, a ingestão de 200ml de polpa de açaí pelos pacientes e voluntários, submetidos a exames de ressonância, melhorou sensivelmente a qualidade das imagens. Na análise do intestino, por exemplo, as alças ficam sobrepostas. Com o contraste de açaí as alças somem do campo visual e ficam somente os dutos na imagem", relata Elias Junior.

Segundo Tiago Arruda Sanchez, que desenvolve a pesquisa do açaí em seu mestrado na FFCLRP, a marca da polpa utilizada também influenciou na qualidade da imagem. Concluiu-se que a forma de cultivo, o tipo de solo e até o processo de masseração a que o açaí foi submetido para extração de sua polpa, influenciam nesse resultado.

O professor do Departamento de Física e Matemática (DFM), da FFCLRP, Dráulio Barros de Araújo, orientador da pesquisa, explica que a hipótese para essa propriedade do açaí, provavelmente, está na presença de metais em sua estrutura, como ferro e manganês. As vantagens para o seu uso clínico vão além do fato de ser um produto natural e de sabor agradável. O contraste comercial, atualmente utilizado, custa R$210,00 por três doses. Já cada dose de açaí custa cerca de R$2,00, uma vez que o quilo da fruta custa hoje R$8,00.

Também participam desse trabalho os professores Oswaldo Baffa Filho, do DFM - FFCLRP, e Ricardo Brandt de Oliveira, da Clínica Médica - FMRP.

Parceria

Desde 1988, o Laboratório de Biomedicina do DFM da FFCLRP e a Clínica Médica da FMRP trabalham no desenvolvimento de novos métodos magnéticos para estudo do movimento gastrointestinal. Segundo Baffa, a área de gastroenterologia tem necessidade de utilizar métodos de exames não invasivos e que não necessitem de radiação ionizante. As alternativas eram transformar o produto inorgânico no mais próximo possível do orgânico, ou buscar alternativas já existentes na natureza. Com o conhecimento do alto teor de ferro presente no açaí, foram iniciadas as pesquisas com essa fruta.

Nos laboratórios da FFCLRP e da Embrapa de São Carlos, foram feitos vários estudos sobre a caracterização do açaí, suas propriedades e composição química. Com isso foram confirmadas as altas concentrações de ferro e manganês na fruta, além da presença de cálcio. A partir destes dados surgiu a idéia de utilizar o açaí na ressonância. Após as pesquisas in vitro, em março de 2003, foram iniciados os testes com pacientes e voluntários. Entretanto, segundo os pesquisadores, mesmo com o sucesso obtido até agora, na medida em que as pesquisas avançam, outros questionamentos começaram a surgir, como: o quanto cada componente influencia no contraste e quais outros podem ser responsáveis pelo resultado obtido.

Mais informações: (0XX16) 602-3822, com Araújo ou Sanchez

Com informações do Serviço de Comunicação Social do Campus de Ribeirão Preto

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