Cassilândia, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

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18/01/2005 09:21

A história do lateral Branco na Seleção Brasileira

CBFNnews

Ele conta que ao escutar o barulho da batida na bola não teve dúvida. Quando cobrou a falta aos 36 minutos do segundo tempo do jogo contra a Holanda, na Copa do Mundo de 1994, Branco teve a convicção de que seria gol, o terceiro na vitória de 3 a 2. Não esperou sequer a bola estufar a rede do goleiro Ed De Goej. Com o rosto crispado pela emoção, sem conseguir conter as lágrimas, o lateral-esquerdo que acabaria tetracampeão do mundo correu em direção ao banco de reservas do Brasil. Queria agradecer aos médicos, aos integrantes da comissão técnica, aos seus companheiros, por terem acreditado nele - com uma inflamação no nervo ciático, que o deixou de fora das partidas iniciais, ele esteve ameaçado de ficar de fora do Mundial dos Estados Unidos.

- Só eu sei o que passei até entrar em campo para a enfrentar a Holanda. Além da contusão, que era grave e me fez perder a posição de titular, algumas pessoas já estavam dizendo que eu estava velho, ultrapassado. Por isso aquele gol e aquele momento foram as coisas mais importantes da minha vida - recorda o gaúcho Cláudio Ibrahim Vaz Leal, o tetracampeão do mundo que é hoje o coordenador das divisões de base da CBF.

Ao marcar o gol da vitória sobre a Holanda, no dia 9 de julho de 1994, Branco cumpriu o destino que considera ter guiado a sua carreira. Em 1982, na Copa da Espanha, conta que sofreu junto à TV vendo a Seleção Brasileira formada por jogadores que eram então seus ídolos ser derrotada pela Itália por 3 a 2 - lembra que ficou com raiva de Paolo Rossi, autor dos três gols dos italianos. Não sonhava que três anos depois (estreou na Seleção Brasileira no dia 25 de abril de 1985, com uma vitória de 2 a 1 sobre a Colômbia), estaria ao lado daqueles de quem era fã.

Titular na Copa do Mundo de 1986, no México, viu o sonho de ser campeão do mundo acabar na cobrança de pênaltis, na derrota para a França. Quatro anos depois, na Copa da Itália, nova frustração, marcada pelo gol de Caniggia, na derrota de 1 a 0 para a Argentina. Mais quatro anos e veio a redenção com a conquista do tetracampeonato do mundo na Copa dos EUA. Branco acha que nada foi por acaso.

- Por isso digo que meu destino estava traçado. Fiz sacrifício, tratamento até de madrugada, para conseguir jogar contra a Holanda. O jogo estava fácil, eles empataram em 2 a 2, até que veio aquela falta. E eu tinha de cobrar.

Branco faz questão de contar como o lance aconteceu. Ele construiu o seu destino.

- Primeiro eu fiz falta no Overmars, e o juiz não marcou. Depois, eu cavei a falta, me atirando, no lance, e o juiz marcou. Por isso também tive a certeza do gol quando escutei o barulho do chute. Aquela bola tinha de entrar, estava escrito.

Na conquista de um título marcada pelos gols de Bebeto e Romário, mas também pelo espírito de união, o gol contra a Holanda é considerado por Branco como um símbolo do tetra. Por onde passa, dentro ou fora do Brasil, as pessoas estão sempre lembrando daquela cobrança de falta.

- O que marcou de verdade o tetra foi a união. Jogadores, comissão técnica, éramos um grupo que buscou o título com obsessão. Quanto mais nos criticavam, mais nos fechávamos. Mas o meu gol ficou como uma espécie de símbolo - diz.

O tetracampeonato do mundo veio dois jogos após, contra a Itália. Novamente em decisão por cobrança de pênaltis. Em 1986, na derrota para a França, Branco fez a sua parte, acertou a cobrança - Sócrates e Júlio César desperdiçaram. Na decisão de 1994, foi o terceiro a cobrar para o Brasil, depois de Márcio Santos (que perdeu) e Romário. Ele confessa que caminhou para bater sob o peso da responsabilidade.

- Passa muita coisa pela cabeça naquele momento. Se eu errasse, não iria me perdoar, seria a minha terceira Copa perdida e toda a minha luta para jogar no Mundial de 94 não poderia atirada fora - diz.

A conquista do tetracampeonato coroou uma trajetória que Branco iniciou na Seleção Brasileira de Juniores, em 1983. Com ela, vieram o Fuminense, a transferência para o futebol europeu (Itália e Portugal), o sucesso, a passagem para a história com a camisa 6 do Brasil. Uma história que, hoje, lhe dá uma certeza.

- Posso não ter sido o melhor lateral-esquerdo que passou pela Seleção Brasileira. Mas com certeza fui o mais determinado. Isso eu posso garantir - afirma.

Aos 40 anos, Branco se vê diante da oportunidade de ajudar na formação de gerações que poderão fazer o futebol brasileiro prosseguir vitorioso no mundo. Está empolgado com a função que exerce na Seleção Brasileira, orgulhoso pela confiança que tem da diretoria da CBF.

- O presidente Ricardo Teixeira e o secretário-geral Marco Antônio Teixeira me dão integral apoio. Recebo todas as condições para realizar um grande trabalho. Espero continuar vencendo na Seleção Brasileira.

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