Cassilândia, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

Últimas Notícias

06/12/2004 09:13

A história de Zagallo na Seleção Brasileira

CBF News

Mário Jorge Lobo Zagallo não se tornou por acaso o símbolo de identificação com a Seleção Brasileira. O desejo de vestir a amarelinha, a camisa que ele tanto enaltece, começou muito cedo, bem no início da carreira, no juvenil do América, em 1948.

Meia-esquerda habilidoso, driblador, Zagallo era o camisa 10 do juvenil do América quando percebeu que, se não mudasse de posição, não chegaria à Seleção. Conseguir o objetivo falou mais alto do que a vaidade.

- Eu poderia ser um grande meia-esquerda. Mas vi logo que não seria convocado em uma posição em que no Brasil havia muitos craques. Como meu grande sonho era vestir a amarelinha, passei para a ponta-esquerda.

A troca deu mais certo do que Zagallo poderia imaginar no melhor dos seus sonhos. Fez dele bicampeão mundial como jogador, em 1958/1962; tricampeão mundial como treinador, em 1970, e tetracampeão mundial como coordenador técnico, em 1994. Mais: disputou como treinador mais duas Copas do Mundo, em 1974 e em 1998, o que o torna o profissional que mais vezes esteve em Mundiais.

Zagallo é, portanto, o Senhor Copa do Mundo. Aos 73 anos, caminha para estabelecer mais um recorde, o de participar do sétimo Mundial, em 2006, na Alemanha. Fato que o deixa orgulhoso, com a paixão pelo verde-e-amarelo cada vez mais presente.

- Vou estar lá, não tenha dúvida. E, se Deus quiser, para comemorar o hexacampeonato mundial - diz.

Zagallo demonstra a motivação de um iniciante. Apesar de ser um profissional que detém com sua experiência, mais do que todos, a história da Seleção Brasileira. Como bem lembra Carlos Alberto Parreira, é impossível encontrar um profissional que tenha vivido tantas situações no futebol.

- O Zagallo, como jogador e depois como treinador, além de vitorioso e ter conquistado tantos títulos, foi testemunha das mudanças táticas que aconteceram no futebol brasileiro - explica Parreira.


Gilmar, Zagallo, Garrincha e Nílton Santos dão a volta olímpica com a bandeira da Suécia depois do jogo final em 1958

Uma delas, na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, teve Zagallo como personagem. Com o seu futebol já reconhecido no Flamengo, onde fora tricampeão carioca em 1953/54/55, demorou a ser convocado, o que só aconteceu quando Vicente Feola o chamou para o Mundial da Suécia.

- Éramos três pontas-esquerdas, Pepe, Canhoteiro e eu, disputando duas vagas. O Pepe fazia 40 gols por ano no Santos. O Canhoteiro era um dos maiores dribladores do Brasil. Senti que seria cortado se não fizesse algo diferente. Passei a jogar recuado. O Canhoteiro foi cortado e o Pepe foi meu reserva - diz.

Zagallo fazia a sua função como ponta-esquerda ofensivo, tanto que foi autor de um gol na goleada de 5 a 2 no jogo final contra a Suécia, mas voltava para ajudar na marcação quando a Seleção Brasileira perdia a bola. A dupla tarefa em campo fez dele o jogador mais importante no aspecto tático do primeiro título mundial e lhe valeu o apelo carinhoso de Formiguinha, dado pelo falecido locutor Valdir Amaral.

A história se repetiu em 1962, no bicampeonato mundial. Zagallo, Pepe e Germano, um promissor ponta-esquerda do Flamengo, foram convocados. Nos preparativos, Zagallo parecia à beira de perder a vaga, mas a eficiência tática, aliada ao bom futebol, o fez titular em toda a campanha no Chile. Com direito a gol no jogo de estréia contra o México e jogada de linha de fundo, com cruzamento para gol de Amarildo na vitória de virada por 2 a 1 sobre a Espanha.

- Continuei executando a dupla função. Ajudando a defesa e sendo atacante quando o time tinha a bola. Sempre tive excelente preparo físico, não havia problema - conta.


Zagallo encerrou sua trajetória na Seleção Brasileira em 1964. Disputou seu último jogo no dia 7 de junho daquele ano, na vitória de 4 a 1 sobre Portugal, no Maracanã, em partida válida pela Taça das Nações. A competição reuniu ainda Inglaterra e Argentina, esta a campeã.

Um ano depois, pendurou as chuteiras no Botafogo e imediatamente passou a treinador dos juvenis do alvinegro. Foi bicampeão, repetiu a conquista nos profissionais em 1967/68 e acabou na Seleção Brasileira substituindo João Saldanha para levar o Brasil ao tricampeonato mundial no México, em 1970. Zagallo formou a Seleção que considera a mais completa da história do futebol brasileiro.

- Fica muito difícil fazer comparações. Muitos consideram a de 1958 a melhor. Mas pelos craques que reuniu e por jogar 34 anos antes o futebol moderno que hoje tanto pregam, afirmo que a Seleção de 1970 foi a mais completa - diz Zagallo.

Em 1974, na Copa do Mundo da Alemanha, ele amargou a decepção de perder na semifinal para a Holanda. Vinte anos depois, como coordenador-técnico, Zagallo viveu a redenção com a conquista do tetracampeonato dos EUA.

- O título de tetracampeão do mundo teve um sabor especial. Pelo massacre que sofremos, nunca uma Seleção Brasileira foi tão criticada - conta.

Na França, em 1998, Zagallo passou por outra frustração, a da inesperada derrota na final, o que o Mundial de 2006 na Alemanha poderá apagar. Nas contas de Zagallo, falta ainda a Copa do Mundo de 1986, no México, que lhe fugiu um ano antes, na eleição para a presidência da CBF.

- Eu seria o treinador daquela Copa. Estava tudo acertado com o Medrado Dias, o candidato que perdeu por um voto a eleição para presidente da CBF. Então chamaram o Telê - revela.

Zagallo disputou 34 jogos como jogador pela Seleção Brasileira, com 28 vitórias, quatro empates e duas derrotas. Como treinador, foram 135 jogos pela Seleção, com 99 vitórias, 26 empates e 10 derrotas

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Segunda, 11 de Dezembro de 2017
Domingo, 10 de Dezembro de 2017
10:00
Receita do dia
Sábado, 09 de Dezembro de 2017
09:09
Cassilândia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)