Cassilândia, Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

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10/03/2019 15:00

À espera de resposta, aprovados em concursos fazem manifestação

Campo Grande News
Aprovados nos concursos da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros em manifestação na Corrida da Paz. (Foto: Marina Pacheco)Aprovados nos concursos da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros em manifestação na Corrida da Paz. (Foto: Marina Pacheco)

As provas dos concursos para efetivo das polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros foram realizadas nos dias 12 de agosto e 2 de setembro, porém sete meses e alguns imbróglios depois, os aprovados continuam à espera até de informações. Inconformados, eles realizaram uma manifestação pacífica durante a realização da prova Corrida da Paz do Exército neste domingo (10).

Aproximadamente 20 candidatos ergueram faixa e cobraram o Governo do Estado sobre o andamento do concurso. Um dos manifestantes, de 27 anos, que não quis revelar o nome, reclama da falta de informações, desde que o TAF (Teste de Aptidão Física), que seria realizado entre os dias 8 e 12 de dezembro, foi suspenso em 6 de dezembro. “Precisamos nos preparar”, alega.

No final de janeiro o titular da SAD (Secretaria de Estado de Administração e Desburocratização), Roberto Hashioka, informou ao Campo Grande News que em até 40 dias, o teste seria realizado. O prazo vence no início desta semana.

“Muitos concurseiros são pais de família e deixam de trabalhar para se dedicar aos estudos. Essa paralisação (no andamento do concurso) cria expectativas e transtornos de ansiedade”, argumenta o candidato que estuda para concursos desde 2014.

Na mesma época candidato havia se inscrito em outro concurso em Santa Catarina, mas como as datas das provas coincidiam, ele desistiu de realizar as provas naquele estado. Entretanto precisou arcar com os custos de hotel e passagens que já havia comprado.

Os manifestantes alegam que o Estado passa por carência de efetivo, o que também seria um motivo para que as pendências quanto aos concursos fossem resolvidas o mais rápido possível.

Outro concurseiro que participou da manifestação foi Vinicius Rodrigues, de 25 anos, que estuda para concursos há dois anos. Ele atenta também para altos custos em relação ao próprio concurso. “São valores altos de exames médicos, além da inscrição e teste psicológico”, enfatiza. Segundo ele, o valor de inscrição e do teste psicológico foram de R$ 270,00 e os exames, entre eles toxicológicos, cardiológicos e neurológicos, podem chegar a até R$ 2.500,00 para quem não tem plano de saúde.

“Até agora não deu em nada. A gente liga na Fapems e na SAD e eles não têm informações. É um descaso do governo. Por isso estamos cobrando essa divulgação do cronograma”, diz Vinícius que para se sustentar está trabalhando como motorista de aplicativo. “Ninguém quer contratar quem está a espera de resultado de um concurso”, explica.

Imbróglio - Os concursos, com 650 vagas, foram anunciados ainda em dezembro de 2017 e foram alvos de ações da Justiça. Uma delas suspendeu a execução do contrato, com dispensa de licitação, entre o governo de Mato Grosso do Sul e a Fapems (Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura de MS), com proibição de repasse de recursos públicos.

A contratação foi publicada em 28 de março pelo governo do Estado. Contudo, a Fapec (Fundação de Apoio à Pesquisa ao Ensino e à Cultura), vinculada à UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), apresentou documentação com custo de R$ 3,6 milhões pelo mesmo serviço. Ou seja, proposta mais vantajosa para a administração pública.

Mesmo após a realização das primeiras provas, os editais foram republicados com novas regras, devido ao número de mulheres inscritas nos concursos, que não chegou a 30% do total. A Justiça determinou que os editais fossem republicados sem a discriminação de vagas por gênero. Dos 48.427 inscritos nos dois concursos, 13.873 eram mulheres, 28,6%.

O teste de aptidão física foi suspenso duas vezes, em dezembro, por "motivos de ordem técnica e força maior" e depois em janeiro com a justificativa de falta de pagamento do contrato, quando o Governo admitiu uma dívida de R$ 900 mil.

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