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20/10/2006 05:43

A crônica do Corino - O vendedor de patos

Corino Rodrigues Alvarenga
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O vendedor de patos

Esta piada que vou transcrever já foi contada por aqui por excelentes humoristas nordestinos como Zé Lezin e Espanta. É de um menino cearense migrante do interior para Fortaleza que, para não ver a família passar fome, resolveu vender um pato que o pai havia levado da roça.
Como não conhecia nada em Fortaleza, ele saiu perambulando pela rua com o pato na mão, segurando o pobre bichinho pelas patas. O menino era um pobre bichinho também, descamisado, pés descalços, pele castigada pelo sol escaldante do Ceará, muito magro, desnutrido.
Ao bater na porta de uma casa enorme, ninguém o atendeu.
- Ô de casa!
E nada. E ele foi entrando, passou pelo primeiro corredor, passou pela sala, passou pela copa, subiu as escadas, passou por um enorme corredor e acabou chegando ao quarto de um casal que, àquela hora, fazia amor, isto é, estava mantendo conjunção carnal ou, mais popularmente, afogando o pato, digo, o ganso.
O menino entrou silenciosamente e bateu nas costas da mulher, dizendo:
- Minha senhora, quer comprar este pato?
- Está louco, menino? Como você entrou aqui? Não vê que estou ocupada? Vai vender pato na casa do diabo que o carregue!
Naquela hora, a buzina de um carro soou em frente da casa.
- Pelo amor de Deus, homem! Esconda-se! É o meu marido que chegou! Chegou e já vem logo entrando! Ele é desconfiado! Pelo amor de Deus, escondam-se no guarda-roupa você, o menino e o pato! Isso, assim! E não saiam daí pelo amor de Deus!
O marido entrou, não percebeu nada, foi tomar banho, jantou, assistiu o jornal da TV e foi dormir. Ou melhor, foi roncar. O rapaz era um profissional no ronco.
E os três lá dentro do guarda-roupa: o amante, o menino e o pato. Passou um bom tempo e o menino tocou no braço do homem:
- Ei, moço, que hora é?
- Dez horas – cochichou o homem.
- Olha, está na hora do senhor comprar este pato, então.
- Comprar este pato? E para que eu vou querer um pato feio deste?
- É melhor o senhor comprar, senão eu grito...
- Moleque safado! Tudo bem, diante das circunstâncias... Quanto quer pelo pato?
- Cem real.
- Cem reais por um pato deste? Isso é um roubo.
- Mas, moço... é melhor o senhor comprar... senão eu grito...
- Tudo bem. Tome aqui: cem reais. Me dê este pato.
E foi passando o tempo. O menino tocou no braço do homem de novo:
- Ei, moço, que hora é?
- Onze horas.
- Então, moço, está na hora do senhor me vender o pato.
- Vender o pato? Mas eu acabei de comprar o pato. Por que eu vou vender o pato?
- É melhor o senhor me vender... é melhor vender...
- Tudo bem, tudo bem, diante das circunstâncias... E quanto você me paga pelo pato?
- Dez real.
- Dez reais? Está louco? Eu te comprei o pato por cem reais e vou vender agora por dez reais?
- Olha, moço, é melhor o senhor me vender o pato, senão...
- Já sei, já sei. Tome o pato e me dê os dez reais.
E passaram a noite inteira lá, comprando e vendendo o pato. E o menino só pondo dinheiro no bolso. Quando o relógio bateu seis horas da manhã, a mulher abriu a porta do guarda-roupa e disse:
- Sumam daqui agora! O meu marido foi à padaria para comprar pão e volta em cinco minutos. Vão embora, vão!
E saíram os três: o amante, o menino e o pato correndo.
O menino chegou em casa e a mãe ficou espantada:
- Então você vendeu o pato várias vezes, arrecadou R$ 500,00 e ainda me chega em casa com o pato? Menino, pelo amor de Deus! Isso é coisa do demo! Vamos agora para a Igreja. Você tem que se confessar. Vai ter que dizer isso para o padre Carneiro.
Mãe e filho estão na fila do confessionário e chegou a vez do menino se confessar.
- Diga o seu pecado, meu filho.
- Eu não estou aqui para me confessar, não, seu padre. Eu vim aqui foi para te vender este pato. Quer comprar?
Aí o padre ficou irritado e vermelho como um morango, berrando:
- Você vai vender este pato no quinto dos infernos, seu moleque! Para que eu vou comprar este pato? Eu já passei a noite inteira, dentro de um guarda-roupa, comprando e vendendo pato! Vai vender este pato no quinto dos infernos!

Corino Rodrigues de Alvarenga
Contato com o colunista:
corinorodrigues@hotmail.com

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