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29/01/2008 08:20

A crônica do Corino: Manoel Afonso, vice e vereador

Corino Rodrigues de Alvarenga

Muito atual e pertinente o comentário de Manoel Afonso “Candidato a vice decide eleição?” Li e fiz questão de parabenizar o amigo Manoel por e-mail por sua sagacidade e inteligência ao abordar, com propriedade, um tema que intriga e muito o eleitorado.
Concordo plenamente quando o cronista conclui que vice não serve para nada. Ou, se muito, para muito pouco. Que o digam Sarney e Itamar.
Primeiro ponto: vice não trabalha, não tem responsabilidade nenhuma e ainda recebe salário. Segundo ponto: vice só serve para conspirar contra uma gestão da qual teria que fazer parte, fazendo minhas as palavras do jornalista Villas Boas Correia. E terceiro ponto: ninguém vota em vice. E se ninguém vota, ele não deveria existir, e, mormente, na hora da distribuição do holerite mensal.
Quanto ao vice, há um certo espírito de satanaz que sempre me intrigou: se o prefeito, o governador ou o presidente ficar doente ou pegar um vento encanado, o vice irá lastimar? Se o titular morrer, ele ficará verdadeiramente infeliz e irá chorar antes da última pá de cal?
E, tomando a linha de raciocínio de Manoel Afonso, peço licença para comentar o papel do vereador. Acho um grande despercício queimar dinheiro público, que poderia ir para áreas essenciais, para bancar uma câmara de vereadores.
Um vereador, mesmo sendo analfabeto, ganha um salário muito acima do vencimento mensal de muitos profissionais especializados, inclusive médicos ou dentistas. E o pior: um vereador não faz nada, absolutamente nada para justificar tais salários e tais benesses.
Vereador comigo, leitor, é na nhanha, é na chincha, é na quixaba. Qualquer castigo para vereador é pouco.
Pagar salários de R$ 2 ou R$ 3 mil para cada vereador (em Jacobina, Bahia, o piso é de R$ 3.840,00) – inclusive o presidente e os membros da mesa diretora têm direito a outros benefícios, elevando os custos para o contribuinte – atuar em quatro sessões ordinárias e uma virtual extraordinária de vez em quando é um verdadeiro acinte contra o bom-senso.
Pior ainda é você saber que muitos dos vereadores deste país se vendem para o prefeito de forma deslavada, exigindo linhas de ônibus do transporte escolar para desviar os recursos do Fundef, verbas para associações tocadas por “laranjas”, direito ao fornecimento de produtos e serviços à Prefeitura sem licitação ou com dispensa de licitação, com concorrências públicas fraudulentas e otras cositas mas.
Isso sem falar nas chantagens brancas, votando contra matérias do poder executivo na primeira votação para fazer negociatas e cambalachos em nome da segunda e decisiva votação – e tudo em nome do sagrado dinheiro público.
Que os nobres vereadores me provem o contrário: abram mão do seu salário, que ganham sem trabalhar, em benefício de uma saúde pública melhor, um ensino público mais decente, uma assistência social que beneficie verdadeiramente os mais carentes.
Se os nobres políticos fizerem isso, eu dou a mão à palmatória.
Chego aqui, neste mesmo espaço, e digo o seguinte:
- Olha, amigo leitor: os políticos deste país estão preocupados com o povo e não querem mais ganhar sem trabalhar por acharem que isso é um péssimo exemplo para as nossas crianças.
Mas isso, cá entre nós, não irá acontecer. Nem se a vaca tossir. Nem se o boi piar. Nem se o Maluf confessar que aquele dinheiro que está nos paraísos fiscais é seu.
Isto nunca irá acontecer. Pelo menos até o Brasil continuar sendo Brasil. E até nós continuarmos votando nestes mesmos políticos, que, como os vices e os vereadores, estão muito felizes com sua vidinha com bons salários e sem nada árduo que os faça suar.
Como se diz aqui na Bahia, amigo: é assim que a banda toca, é? Pior que é. Pior... que é.

Matéria de responsabilidade de Corino Rodrigues de Alvarenga
Contato com o colunista:
corinorodrigues@hotmail.com

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