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09/10/2006 08:33

A crônica do Corino - Alcides e o vernáculo

Corino Rodrigues Alvarenga
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Alcides e o vernáculo

Eu tenho acompanhado a coluna “Língua Portuguesa – Inculta e Bela”, assinada pelo professor Alcides Silva, no site www.cassilandia.com.br. Tenho sido uma assídua testemunha da luta renhida do nobre professor para nos ensinar a utilizar, ao menos, um pouco melhor o nosso vernáculo.
Em primeiro lugar, quero confessar ao professor Alcides Silva: escrevo porque sou ousado, mas tenho consciência dos atos de violência que tenho praticado contra a nossa querida Língua Portuguesa, que, se depender de mim, ficará cada dia mais inculta e menos bela. Bela comigo? Não, professor. Eu nasci foi ali no Entroncamento do Itajá e aprendi a ler no tranco, e isso graças ao esforço da minha pobre mãe.
Sou um verdadeiro malandro metido a escritor. Aprendi um truque em São Paulo e faço dele a minha válvula de escape: escrever só o que tenho certeza absoluta que está certo. Se vou escrever a palavra “análise”, vou lá no dicionário se o certo é com S ou Z.
É o pai dos burros, meu amigo. O dicionário é o meu pai. E ele sabe tudo. Ou quase tudo. Pelo menos sabe muito mais do que eu, o que também não é vantagem nenhuma.
Não me meto a bom entender de nada. Mas, apesar dessa chamada válvula de escape, tenho cometido os meus crimes contra a Língua Portuguesa. E a minha folha corrida é extensa.
Diante de bons professores como Alcides Silva, que se empenham para livrar os leitores de engraçadinhos que se metem a escrever erradamente quanto este cronista insistente que está todo dia aqui enchendo o saco de todo mundo, eu dou a mão à palmatória: o que seria deste País se não fossem os nossos zelosos mestres do vernáculo pátrio?
Eu aprendi alguma coisa com mestres como Ivan Fernando Gonçalves Pinheiro, que à época me incentivou a ler livros de filosofia, e com Wanderleiy de Carvalho, que me incentivou a deixar os livros de literatura de lado e a ler mais livros técnicos – e isso contribuiu para não ser tão ignorante a ponto de saber distinguir, por exemplo, um livro de uma bicicleta.
Hoje sou um expert e sei, é claro, que um livro é para ler e uma bicicleta você usa para andar um pouco mais depressa do que a pé. Aprendi isso e nunca mais esqueci. Tenho uma boa memória.
Por isso, caro professor Alcides Silva, receba a minha homenagem. E a mea culpa também. Os delitos por mim praticados – inclusive nesta rápida crônica – esperam por seu perdão, mestre.
Eu, por sinal, peço desculpa às minhas vítimas diárias: os leitores.
Escrevo por compulsão e dependência. Se eu fosse um viciado em drogas, já estaria morto. Como sou viciado em escrever, mato os leitores. Uns de raiva. Outros de tédio.
Mas viciado é viciado. E, mesmo porque, não sei fazer outra coisa. Nasci para chatear as pessoas. Uns chateiam cantando. Outros chateiam jogando futebol. Eu as chateio escrevendo. E escrevo todos os dias, e, portanto, as chateio todos os dias.
Graças ao bom Deus, há estudiosos como o professor Alcides Silva, que, ao contrário deste ignorante cronista, sabem diferenciar um advérbio de um adjetivo, um ditongo crescente de um ponto e vírgula. O que sei é que o ponto e vírgula funciona assim: o ponto fica em cima e a vírgula fica em baixo. Acho que é isso. Não sei se necessariamente nessa ordem. Mas deve ser.
Por isso, mestre Alcides Silva, perdoe esta pobre alma penada que teima em escrever todos os dias. Gregório de Mattos já dizia que uma ovelha desgarrada tem valor dobrado.
Portanto, mestre, recebo o vosso perdão como uma exigência. E não como um favor. Ou vai perder através deste pobre diabo a vossa capacidade humana de perdoar?

Corino Rodrigues de Alvarenga
Contato com o colunista:
corinorodrigues@hotmail.com

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