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23/06/2007 06:19

A agonia do Operário FC, por Gylson Ferreira

Gylson Ferreira*

Há exatos trinta anos o Operário de Campo Grande surpreendia o país e terminava o Campeonato Brasileiro na terceira colocação, atrás apenas de São Paulo e Atlético-MG. Naquele torneio, que foi disputado por 62 times, o Galo jogou vinte vezes e só perdeu quatro. Ainda hoje há quem diga que o time só foi eliminado pelo São Paulo na semifinal porque o juiz deu uma mãozinha ao Tricolor no jogo disputado no Morumbi.

Mas a situação atual do clube não lembra nem de longe o passado glorioso. Dez vezes campeão Estadual, o Operário amarga hoje uma crise financeira de dar dó. Não quero discutir aqui de quem é a culpa - se das administrações antigas, se dá atual gestão, se do Clube dos Treze ou da falta de apoio do empresariado. O que quero é que o leitor tenha uma idéia de como anda o futebol do mais tradicional time do Estado.

O que vi e ouvi há alguns dias (quando estive no campo da Vila Popular acompanhando um treino da equipe) quase me fez tirar R$ 10 da carteira e coloborar com a caixinha dos jogadores. Na verdade, se me estivesse sobrando um dinheirinho eu certamente o teria feito.

Principal problema: os atletas estão há mais de cinco meses sem receber. A folha mensal do clube é de aproximadamente R$ 10 mil, mas a diretoria não tem previsão de quando poderá quitar os salários. Há algumas semanas, os jogadores não tinham sequer como colocar gasolina nos carros e motos para ir aos treinos e foi preciso uma vaquinha da torcida para que o elenco não abandonasse os trabalhos.

O técnico Paulinho comentou que muitos dali andam enfrentando problemas com aluguel e contas atrasadas. Na semana passada, a situação apresentou uma melhora simbólica: os cartolas do Alvinegro deram a cada atleta um vale de R$ 100 para ajudar nas necessidades fundamentais. Coisa mínima, mas nas atuais circunstâncias, R$ 100 é melhor do que nada.

O diretor de futebol do Operário, Lucien Rezende, comenta que o clube hoje tem uma única receita: um convênio com a Prefeitura de Campo Grande, que deposita R$ 5 mil por mês nos cofres do Galo. O problema é que o negócio vence em dezembro e, depois disso, só Deus sabe o que vai acontecer. Nos bastidores, comenta-se que o presidente Tony Viera pode jogar a toalha e pedir para sair. A esperança do dirigente era que o Operário conseguisse chegar à final do Estadual e, assim, conseguisse uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem. Mas não deu...

*Gylson Ferreira é jornalista, trabalha no Campo Grande News e a partir de hoje passa a colaborar com o Cassilândianews

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