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16/05/2013 15:00

"Seje"

Alcides Silva
Seje

Língua portuguesa, inculta e bela


Alcides Silva


“Seje”

Na segunda-feira, os noticiários televisivos da manhã divulgaram um vídeo mostrando uma mulher e seu filho pequeno agredindo um filhote da raça poodle toy em um condomínio de Porto Alegre. O registro feito por um vizinho na sexta-feira anterior, o qual, assustado com os gritos do animal, resolveu gravar a cena com o celular. As imagens mostravam a mulher no andar térreo lançando o cãozinho contra a parede e estimulando o filho a dar pontapés no animal. Além da criança, ela também apareceu no vídeo segurando um bebê de colo enquanto batia no filhote, arremessado-o contra a parede várias vezes.
As cenas causaram repulsa, tanto que a apresentadora de um dos noticiários, como que repreendendo a mãe enfurecida, disse-lhe severamente no ar: “com esse exemplo o que a senhora quer que seu filho ‘seje’?” Coitado do Vinícius na hipotética voz da apresentadora “que seje eterno enquanto dure!
Esse ‘seje’e seu primo irmão o ‘esteje’, também conhecido pela expressão popular “teje preso” são comuns na linguagem popular, mas constituem vícios de linguagem que facilitam a rapidez quando se fala, mas é errado, pois os verbos SER e ESTAR, quando subjuntivos e escritos na primeira pessoa do singular devem terminar com “a”.
Três são os modos verbais cuja nomenclatura aprendemos (!) na escola mais na base da decoreba, muitas vezes sem o respectivo significado.
Vamos recordar?
Verbo é palavra que exprime ação, estado ou fenômeno e possui terminação variáveis com que se distingue a pessoa da fala (eu, tu, ele), o respectivo número (singular ou plural), o tempo (presente, passado ou futuro), o modo da ação ou estado (real, possível, etc.) e a voz (ativa, passiva ou reflexiva).
Chama-se modo a forma que o verbo toma para indicar a atitude (de certeza, de dúvida, de súplica ou de mando) da pessoa que fala em relação ao fato que enuncia.
Quando a ação do verbo for real, certa, positiva (“as imagens mostravam a mulher lançando o cãozinho contra parede”), o modo é o indicativo; quando for a expressão de um desejo ou apresentar o fato como possível ou duvidoso, uma hipótese (“o que a senhora quer que seu filho seja?): modo subjuntivo; e, finalmente, quando representar uma ordem, um conselho, uma súplica, uma exortação (“salvai o animalzinho”) o modo é o imperativo. Uma anedota, já aqui relatada, explica melhor: o filho do turco foi para a capital cursar universidade. As primeiras cartas, chorosas, dizendo de saudades de casa, do amor, do carinho e da comida, terminavam invariavelmente com o pedido: “papai, mande dinheiro para eu comprar livros, pagar a faculdade, etc”, que o pai atendia, até com relativo prazer. Porém, a medida que o tempo ia passando, as cartas foram se encurtando, mas invariavelmente eram concluídas com a exortação: “mande dinheiro”. Sempre atendendo os pedidos do filho, um belo dia, Salim, com um papel à mão, entrou em casa esbaforido, vermelho, gritando impropérios, lamentando o dinheiro gasto com a educação do filho. Sara, a esposa, quis saber o motivo: era um telegrama que recebera e onde esta escrito: “Mande dinheiro!”, cujo texto Salim lia como se fosse uma ordem implacável. Sara justificou que o menino, econômico, usara poucas palavras para que o telegrama não ficasse mais caro. Salim retrucou, numa voz de choro e de indignação: “Mas não brecisava mandar no mim e escrever ‘manda dinheiro’. podia dizer: “Babai ,man...de dinheiro!”, arrematou escandindo demoradamente, como uma súplica, a forma verbal “mande”. “Manda” é imperativo, uma ordem; mande, subjuntivo, uma súplica.

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