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18/09/2013 13:01

“Maior dor do mundo”, diz mãe de bebê morto por falta de pediatra

Campo Grande News/ Aliny Mary Dias

Na casa onde a bebê Bianca Gavilan viveu durante 13 dias antes de sofrer uma parada cardíaca e morrer por falta de médico pediatra em dois hospitais, o clima é de tristeza e revolta. Karen Gavilan Correa tem 20 anos e ainda se recupera da perda da primeira filha esperada por toda a família.

“Eu só espero que outros bebês de outras mães não morram como a minha. Só queremos Justiça porque é a maior dor do mundo”, conta emocionada a mãe de Bianca.

A rotina e os planos de toda a família mudaram há 9 meses, quando Karen descobriu que estava grávida. Ela e o marido Alex de Souza, de 25 anos, moravam em Campo Grande e levavam a vida de um casal jovem como tantos outros.

A gravidez e a preocupação por um futuro seguro para a primeira filha levou o casal a se mudar de cidade. “A gente queria um local tranquilo e sem violência para criar nossa filha, por isso, nos mudamos para Amambai”, a cidade localizada no sul do Estado e distante 360 quilômetros da Capital foi o lar da família durante os nove meses de gravidez.

Diante da falta de estrutura médica da cidade, o casal resolveu, então, voltar para Campo Grande apenas para ter Bianca. O objetivo era esperar Karen se recuperar da cesária e a família voltaria para Amambai.

O emprego de padeiro do marido impediu que ele viesse para Campo Grande, a decisão do casal foi a de Karen vir para Campo Grande e ficar na casa da mãe, Edna Gavilan Rodrigues, de 39 anos.

Grávida, Karen chegou na Capital no dia 22 de agosto. No dia seguinte, a jovem, que teve todo o pré-natal e o parto realizado na rede privada de saúde, foi até o consultório do médico Alfeu Duarte Souza, diretor da maternidade Cândido Mariano, para a primeira consulta preparatória para o parto.

Todos os exames, consultas e ultrasons feitos dias antes do parto atestavam que Bianca era um bebê saudável e que não teria problemas após nascer. A cesariana ocorreu no fim da manhã do dia 3 de setembro e foi um sucesso, mas a avó de Bianca precisou acompanhar todos os “passos” de Bianca a pedido da mãe.

“A minha filha já tinha um pressentimento de ficar sem a Bianca. Ela tinha muito medo que roubassem a bebê, então eu fiquei na sala de parto, no berçário e em todos os lugares que ela ia eu ficava junto”, desabafa a avó Edna.

Durante os 13 dias de vida, Bianca foi um bebê normal, segundo a família. Os problemas começaram na noite do último domingo (15) quando a criança apresentou uma dificuldade em respirar. “Eu vi que ela só respirava pela boca e estava com o olho fundo. Corri até minha mãe e resolvemos levá-la para o hospital”, conta Karen.

A decisão de chamar um táxi e levar a criança até a maternidade Cândido Mariano, orientação dada à mãe após a alta, é motivo de arrependimento da família. Chegando no local, por volta da 1 hora da manhã, o segurança da maternidade disse que não havia médico.

A segunda tentativa foi o Hospital El Kadri, mas a resposta foi a mesma. “O guarda disse que não tinha médico e que a gente tinha que ir pra Santa Casa”, explica. Desesperada, a avó de Bianca ligou para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para saber o posto de saúde mais próximo.

A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Coronel Antonino foi a indicação dos socorristas seguida à risca pela família. Na unidade, Bianca foi atendida em 2 minutos e o diagnóstico foi breve. “Minha filha estava em parada cardíaca e a enfermeira correu para chamar os médicos da ambulância do Samu”, diz a mãe.

Os médicos tentaram todos os procedimentos de reanimação, mas as tentativas foram em vão e Bianca morreu com 13 dias de vida. Na certidão de óbito, a causa da morte é indeterminada, o que causa mais revolta à família.

Consulta rápida – Além da falta de médicos e demora de mais 1 hora pelo atendimento, outra situação que indigna a família e levanta suspeitas quanto a saúde de Bianca foi uma consulta realizada antes da mãe e do bebê terem alta.

A família explica que a médica pediatra que avaliava Bianca ainda na maternidade recebeu uma ligação durante a consulta e ficou abalada. Ao telefone, a médica havia descoberto que o sobrinho tinha morrido. A partir daí, a consulta não foi bem feita, segundo a família.

“A gente até entende que a médica tenha ficado nervosa, mas ela tinha que ser profissional e chamar outro pediatra para avaliar minha filha. Quem sabe se tivessem descoberto algum problema antes ela estivesse viva com a gente agora”, desabafa o pai.

Na tarde desta quarta-feira (18), a família irá se encontrar com o médico Alfeu Duarte, diretor da maternidade, e promete cobrar respostas. “Nós queremos uma explicação, se constatar que houve erro, vamos entrar na Justiça para que não aconteça com outras pessoas”, completa Karen.

O exame que irá atestar a causa da morte de Bianca deve ficar pronto em até três meses.

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