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03/12/2013 09:33

“Governantes jogam nas costas da polícia questão política que deveriam resolver"

Midiamax

Em passagem por Campo Grande, a professora doutora Esther Solano, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), concedeu entrevista exclusiva ao Midiamax sobre sua pesquisa sobre os Black Blocs – manifestantes que pregam o anarquismo como forma política e o uso da violência em manifestações.

Esther também pesquisa o a ação policial durante os protestos, para tentar entender os dois lados e promover o diálogo entre eles, que não se conversam.

Midiamax - Como surgiu essa pesquisa?

Esther – Eu sou professora de Relações Internacionais e me mudei da Espanha para o Brasil há três anos. Por isso, acompanhei as manifestações que iniciaram em São Paulo e tomaram o país. Fui às ruas e estudei diretamente as ações dos Black Blocs, partindo para o diálogo com eles, para compreender suas ações.

Eles têm um ideal anarquista - que pregam o fim dos governos -, mas o que eles falam e pregam é pura política. Para eles, apenas protestar e falar pacificamente não resolve. Por isso eles partem para a “ação direta”, como chamam.

O grupo acredita que a única forma de ser ouvido é com o uso da violência, por isso eles legitimam a violência como uso político. Assim, eles entendem que conseguem chamar a atenção.

Midiamax – Além do uso da violência, o que mais eles pregam?

Esther - Eles não fazem propostas novas ou sugestões de políticas, o que eles querem é ser enxergados a partir do descontentamento social. A partir desse entendimento eles acompanham grupos em protestos sobre vários temas, claro sendo temas que eles concordem.

Acompanhei também protestos ocorridos no mundo e os Black Blocs atuam do mesmo jeito em todos os lugares. Eles também cobrem os rostos e geralmente são jovens.

Midiamax – E quanto a polícia, já que você também tem conversado com o outro lado?

Esther - O contexto das manifestações são questão de política e não de polícia. Os governantes jogam nas costas da polícia o que é política para se resolver. Porém a polícia é uma parte silenciada, pela própria hierarquia militar.

Apesar disso, a PM [Polícia Militar] tenta alguns canais de comunicação com os Black Blocs, mas eles não acreditam no papel do governo, então acabam por não conversar com a polícia, que acaba partindo para um papel repressor da violência.

A polícia do mundo inteiro teve problemas com as manifestações, por mais pacífica que fosse. Ela também é criticada por todos os lados: se não faz nada contra é criticada, se faz é repressora. Então as dificuldades são as mesmas.

Midiamax – Como você disse, a polícia acaba fazendo o papel que a política deveria resolver.

Esther - Isso. A polícia acaba sendo um instrumento para reproduzir a política. Se o governante é autoritário a polícia também será. Com isso vem o papel da mídia, que sempre está em cima das ações dos políticos e dos policiais.

Os policiais acabam refém não só da política, mas da mídia, que por consequência fica refém da opinião pública e isso é um círculo. Lembrando que não só a imprensa de grande porte, mas as pequenas mídias também, sem contar as redes sociais.

Midiamax – Nesse contexto, o que você passou de ensinamento aos policiais com a aula que ministrou aqui em Campo Grande?

Esther - Falei que apesar dos episódios aqui na cidade ter sido menores, em comparação com São Paulo, por exemplo que convivi, esse é o momento político que o país está vivendo. É preciso entender que as pessoas querem falar.

A pesquisa fala com os dois lados e a ideia não é julgá-los, mas promover o diálogo entre as partes que não se conversam.

* Esther pretende finalizar a pesquisa com um artigo científico ou ainda lançar um livro. Ela ministrou palestra no dia 29 de novembro na Capital, com o tema "Conflitos urbanos no Brasil - Black Blocs, Movimento Passe Livre, Mídia Ninja e Anonymous Brasil", na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Além disso, deu aula sobre os protestos que marcaram o Brasil a tenentes-coronéis da PM de Mato Grosso do Sul, em sua vinda a Campo Grande

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