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19/08/2013 17:11

Aquecimento global: a adaptação a um clima antropogênico

Marina Dall’Anese*
Marina Dall’AneseMarina Dall’Anese

 

Nos últimos anos temos presenciado a quebra de recordes históricos de temperaturas em diversas partes do mundo, com registros de picos de altas e baixas temperaturas. O mesmo pode-se dizer dos índices de umidade relativa do ar, que colocam municípios em estado de alerta devido ao ar muito seco. Estes são alguns dos fenômenos que terão sua frequência e intensidade aumentadas com o avanço das alterações climáticas derivadas de ações humanas, ao qual denominamos de clima antropogênico.

A onda de frio que atingiu o Brasil no mês de julho, mesmo tendo um caráter natural, já que fenômenos semelhantes têm ocorrências comuns durante o inverno, provavelmente teve sua intensidade aumentada devido às alterações nas correntes atmosféricas, alteração esta ocasionada pelo aquecimento global. O mesmo pode-se dizer da onda de calor que está causando mortes e prejuízos na Europa e na Ásia.

Quando uma região sofre por alguns dias com temperaturas muito maiores ou menores do que a média para a época, a população sofre com desconfortos. No entanto, quando esse quadro se instala por tempo maior, os danos refletem-se diretamente na falta de estrutura para suportar tais condições, causando prejuízos econômicos (principalmente relacionados à agricultura), de saúde e até mesmo mortes. Se as diversas previsões feitas sobre as consequências do aquecimento global se concretizarem, como está acontecendo, é este cenário preocupante que se instalará em diversas regiões do planeta.

As alterações climáticas proporcionam ainda a ocorrência de outros fenômenos naturais que afetam a sociedade humana, como o derretimento das calotas polares - que está diretamente relacionado ao aumento do nível dos oceanos. A combinação destes fatores ocasionará consequências catastróficas relativas aos ecossistemas naturais deles dependentes, mas também irá obrigar milhões de pessoas a migrarem de suas casas, cidades e mesmo países em busca de condições apropriadas de sobrevivência - exigindo que medidas sejam adotadas para suprir as necessidades básicas desses refugiados ambientais que, segundo a Organização Internacional para as Migrações da ONU em 2050 haverá até 1 bilhão destes refugiados.

Estima-se que o aquecimento global ocasionará ainda impactos diretos e indiretos na saúde. Morbidade e mortalidade ocasionadas pelas ondas de calor e de frio e pela redução drástica da umidade, por exemplo, são consequências diretas do aquecimento global. O aumento da intensidade de enchentes – relativo ao aumento da temperatura em certas regiões do planeta - poderá significar elevação na intensidade de doenças infecciosas, especialmente aquelas com ciclo de transmissão dependente da água. Outros exemplos são a possibilidade de aumento da incidência de desnutrição, devido às perdas de produtividade na agricultura, e aumento de casos de estresse pós-traumático em pessoas que presenciaram a ocorrência de eventos extremos.

Mas diante de todas essas perspectivas negativas relacionadas à saúde e sobrevivência humana, o que pode ser feito? Uma das diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês) sobre as mudanças climáticas, além da redução das emissões de gases de efeito estufa, é a adaptação. Precisamos nos preparar para sobreviver às condições climáticas que auxiliamos a instalar. Isso significa que as previsões de alterações devem ser levadas em conta em todas as políticas públicas, desde as relativas à saúde pública, passando pelas de moradia e suprimento de necessidades básicas, até aquelas referentes à produção agrícola.

Há ainda um agravante: como em diversas outras situações, as conseqüências do aquecimento global não serão distribuídas equitativamente, mas concentradas em regiões do mundo com altos índices de pobreza, como em certos países em desenvolvimento no Pacífico Sul, e atingirão principalmente a parcela mais pobre da população, residente em áreas de risco e com acesso a sistemas de saúde, alimentação e moradia precários.

Sendo assim, a adaptação às novas condições climáticas será efetiva quando tiver um caráter intersetorial, que permita uma visão holística da situação, considerando todos os possíveis riscos, ações de mitigação para os mesmos e enfoque nas regiões que mais sofrerão com as alterações. Deverá ainda se preocupar com os movimentos migratórios e com o suprimento de serviços básicos aos refugiados, tendo em vista uma distribuição mais igualitária de recursos e insumos, em que as diferenças sociais sejam menos exacerbadas. Assim esperamos.

Marina Dall’Anese, gestora ambiental pela USP, analista de negócios da www.neutralilzecarbono.com.br e consultora da www.greendomus.com.br.

Nos últimos anos temos presenciado a quebra de recordes históricos de temperaturas em diversas partes do mundo, com registros de picos de altas e baixas temperaturas. O mesmo pode-se dizer dos índices de umidade relativa do ar, que colocam municípios em estado de alerta devido ao ar muito seco. Estes são alguns dos fenômenos que terão sua frequência e intensidade aumentadas com o avanço das alterações climáticas derivadas de ações humanas, ao qual denominamos de clima antropogênico.

A onda de frio que atingiu o Brasil no mês de julho, mesmo tendo um caráter natural, já que fenômenos semelhantes têm ocorrências comuns durante o inverno, provavelmente teve sua intensidade aumentada devido às alterações nas correntes atmosféricas, alteração esta ocasionada pelo aquecimento global. O mesmo pode-se dizer da onda de calor que está causando mortes e prejuízos na Europa e na Ásia.

Quando uma região sofre por alguns dias com temperaturas muito maiores ou menores do que a média para a época, a população sofre com desconfortos. No entanto, quando esse quadro se instala por tempo maior, os danos refletem-se diretamente na falta de estrutura para suportar tais condições, causando prejuízos econômicos (principalmente relacionados à agricultura), de saúde e até mesmo mortes. Se as diversas previsões feitas sobre as consequências do aquecimento global se concretizarem, como está acontecendo, é este cenário preocupante que se instalará em diversas regiões do planeta.

As alterações climáticas proporcionam ainda a ocorrência de outros fenômenos naturais que afetam a sociedade humana, como o derretimento das calotas polares - que está diretamente relacionado ao aumento do nível dos oceanos. A combinação destes fatores ocasionará consequências catastróficas relativas aos ecossistemas naturais deles dependentes, mas também irá obrigar milhões de pessoas a migrarem de suas casas, cidades e mesmo países em busca de condições apropriadas de sobrevivência - exigindo que medidas sejam adotadas para suprir as necessidades básicas desses refugiados ambientais que, segundo a Organização Internacional para as Migrações da ONU em 2050 haverá até 1 bilhão destes refugiados.

Estima-se que o aquecimento global ocasionará ainda impactos diretos e indiretos na saúde. Morbidade e mortalidade ocasionadas pelas ondas de calor e de frio e pela redução drástica da umidade, por exemplo, são consequências diretas do aquecimento global. O aumento da intensidade de enchentes – relativo ao aumento da temperatura em certas regiões do planeta - poderá significar elevação na intensidade de doenças infecciosas, especialmente aquelas com ciclo de transmissão dependente da água. Outros exemplos são a possibilidade de aumento da incidência de desnutrição, devido às perdas de produtividade na agricultura, e aumento de casos de estresse pós-traumático em pessoas que presenciaram a ocorrência de eventos extremos.

Mas diante de todas essas perspectivas negativas relacionadas à saúde e sobrevivência humana, o que pode ser feito? Uma das diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês) sobre as mudanças climáticas, além da redução das emissões de gases de efeito estufa, é a adaptação. Precisamos nos preparar para sobreviver às condições climáticas que auxiliamos a instalar. Isso significa que as previsões de alterações devem ser levadas em conta em todas as políticas públicas, desde as relativas à saúde pública, passando pelas de moradia e suprimento de necessidades básicas, até aquelas referentes à produção agrícola.

Há ainda um agravante: como em diversas outras situações, as conseqüências do aquecimento global não serão distribuídas equitativamente, mas concentradas em regiões do mundo com altos índices de pobreza, como em certos países em desenvolvimento no Pacífico Sul, e atingirão principalmente a parcela mais pobre da população, residente em áreas de risco e com acesso a sistemas de saúde, alimentação e moradia precários.

Sendo assim, a adaptação às novas condições climáticas será efetiva quando tiver um caráter intersetorial, que permita uma visão holística da situação, considerando todos os possíveis riscos, ações de mitigação para os mesmos e enfoque nas regiões que mais sofrerão com as alterações. Deverá ainda se preocupar com os movimentos migratórios e com o suprimento de serviços básicos aos refugiados, tendo em vista uma distribuição mais igualitária de recursos e insumos, em que as diferenças sociais sejam menos exacerbadas. Assim esperamos.

Marina Dall’Anese, gestora ambiental pela USP, analista de negócios da www.neutralilzecarbono.com.br e consultora da www.greendomus.com.br.

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