Cassilândia, Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020

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19/01/2020 11:00

“A maioria fugiu pelo portão principal”, admite ministro paraguaio

Campo Grande News
Túnel utilizado pelos criminosos durante a fuga.Túnel utilizado pelos criminosos durante a fuga.

O ministro do interior no Paraguai, Euclides Acevedo, disse nesta manhã (19) “que a maioria dos presos escaparam pelo portão principal e não pelo túnel”. Na madruga deste domingo 75 presos do PCC (Primeiro Comando da Capital) fugiram do Presídio de Pedro Juan Caballero, onde escavaram túnel em uma das celas do pavilhão B na Penitenciária.

As informações foram repassadas ao Campo Grande News pelo secretário de segurança de Ponta Porã, Marcelino Nunes de Oliveira. Ainda conforme as declarações do ministro, “houve a liberação dos presos” e o túnel escavado foi utilizado apenas para “legitimar a liberação” dos presos.

A polícia ainda investiga a saída de outros internos do presídio ao longo da semana passada. Segundo o ministro, deixaram o presídio “metade dos presos”. “Isso parece um acordo entre os que estão dentro com os que estão fora”, disse. “Uns 15 saíram uns dias antes”, alega.

Fuga em massa - As autoridades acreditavam, inicialmente, que haviam fugido 91 presos, praticamente toda a ala do PCC no Presídio. Um deles ficou para trás e foi detido pela polícia. A fuga em massa mobiliza todas as forças de segurança paraguaias e brasileiras no entorno do presídio e nas cidades gêmeas Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

Na BR-463, em Sanga Puitã, distrito de Ponta Porã, a polícia encontrou três camionetes incendiadas, que acredita terem sido utilizadas para a fuga.

O secretário de Segurança de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, diz que foi comunicado ainda na madrugada sobre a fuga no Paraguai. “Imediatamente convocamos todas as policiais da região, Civil, Militar, DOF, Polícia Rodoviária Estadual. Também convocamos os policiais de folga. Assim que o dia clareou, até nosso helicóptero foi para lá”, detalha.

Segundo ele, as equipes estão mobilizadas em Ponta Porã e adjacências, para fechar a fronteira e capturar os foragidos. O passo primordial agora, na avaliação de Videira, é conseguir com as autoridades paraguaias a identificação dos homens que fugiram, para facilitar a fiscalização. Já se sabe que há “vários brasileiros” no grupo, diz o secretário, mas ainda sem número exato.

“A preocupação é grande, porque já vivemos em um clima violento naquela região. São cidades com alto índice de homicídios em 2019”, comenta o secretário sobre a realidade na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

Os dirigentes da Penitenciária já foram destituídos do cargo pela ministra da Justiça do Paraguai Cecilia Pérez, como medida preliminar de investigação. Ela declarou, nesta manhã, que é "categórico" que houve corrupção para permitir a fuga dos presos.

Cecilia Pérez já havia declarado que as autoridades detectaram um plano de fuga de presos membros do PCC. Segundo as investigações, a organização oferecia cerca de 80 mil dólares para carcereiros ou policiais que facilitassem a fuga.

Segundo dados do governo paraguaio, cerca de 600 detentos integram as duas das maiores organizações criminosas brasileiras, PCC e Comando Vermelho.

Em setembro do ano passado, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, demitiu o ministro da Justiça, Julio Rios, e o comandante da Polícia Nacional, Walter Vázquez, após a fuga do narcotraficante Teófilo Samudio, o Samura, líder da facção carioca Comando Vermelho, rival do PCC. Na época, dois agentes penitenciários foram presos por facilitarem a fuga.

Guerra aberta - O fim de semana está movimentado na região. A guerra declarada na fronteira pela liderança no tráfico de drogas tem episódios de violência diários entre as cidades gêmeras Ponta Porã e Pedro Juan, mas também em diversas cidades próximas, do lado paraguaio.

O ex-prefeito de Bella Vista Norte, no Paraguai, Júlio César Rojas Vadora, de 54 anos, foi executado a tiros no final da tarde deste sábado (18). O chefe local do Senepa (Serviço Nacional de Erradicação da Malária) e amigo do político, Alejandro Malvertti Delgado, também morreu no local.

Os criminosos utilizaram submetralhadora para a execução enquanto os dois assistiam a uma partida de futebol na arquibancada do estádio Ybytyruzu Sports Center. Júlio César já havia sido governador interino de Amambay, cuja capital é Pedro Juan Caballero.

Além disso, a Polícia Nacional do Paraguai apreendeu 300 quilos de cocaína durante operação realizada na manhã de sábado em Pedro Juan. A droga era transportada no avião Cessna 210, utilizado pelos narcotraficantes.

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